Aberta em 10 de dezembro de 2017, a Pixelandia vendia capas, ícones, logotipos e vídeos para servidores não oficiais de Habbo Hotel — os retros, cópias caseiras de um jogo que rodava em Flash dentro do navegador. Mas um terço da clientela não era hotel: eram as rádios, o jornal, a escola de pixel art, os comerciantes e os grupos de divulgação que orbitavam em volta deles. Funcionou em duas fases, de 2017 a 2021, e fechou tudo. Sobraram os arquivos e as publicações da página.
Sala 0 · Antes da loja
A Pixelandia abriu em dezembro de 2017. Tudo nesta sala é anterior.
O primeiro hotel foi o Huxx, aberto com o primo Marcos por volta dos doze anos — não como negócio, mas como uma vontade de entender por dentro um jogo que já se jogava desde criança. Entender exigiu aprender pixel art para desenhar as telas e programação para fazê-las funcionar. Depois veio o Frame CMS, em 2015: um sistema inteiro, documentado tela a tela.
A ordem importa. Quando a loja abriu, nada do que ela vendia era novidade para quem a abriu — as capas de 851 por 315 pixels, os kits de ícones, os layouts de recepção, tudo isso já tinha sido feito antes, de graça, para uma casa própria. E o que se aprendeu aqui não ficou aqui: em 2020, na Sala 1, a loja entrega CMS completas ao Habbver e ao Bon Hotel — a mesma capacidade destas telas, cinco anos depois, virada produto. A loja não foi o começo da história. Foi o meio dela.
Sala 1 · Acervo
O que a Pixelandia produziu depois de aberta, com o que sobreviveu nos arquivos do site e nas publicações da página. A sala abre pelo que se move — animações e vídeos primeiro, o resto na ordem do catálogo. Os números trazem o ano quando há como provar; as demais peças aparecem como s.d., sem data. Toque numa imagem para ampliar.
Sala 2 · A página
A loja não tinha carrinho nem checkout. Pedido, orçamento e entrega passavam pela página e pelo inbox, com resposta prometida em 24 horas. Cada trabalho concluído virava uma publicação com a marcação #PORTFÓLIOPIXELANDIA — foi esse hábito que transformou uma página comercial em registro datado.
Estas capturas cobrem de dezembro de 2017 a abril de 2021 — as duas fases da loja e o hiato de dois anos entre elas. São a fonte que devolveu data exata a dez peças da Sala 1.
Ver a página no Facebook A página segue no ar e é a fonte de tudo nesta sala.
As capturas da página ainda não foram catalogadas.
13 de abril de 2021
Foi um header de index para o Hibbo Hotel. Nada indica despedida: é uma entrega comum, no formato de sempre, com a marcação de portfólio de sempre. Depois dela, silêncio.
A data importa porque desmente a explicação mais fácil. O Flash Player foi desligado pela Adobe em 31 de dezembro de 2020, e seria cômodo dizer que a Pixelandia morreu junto com a tecnologia que sustentava seus clientes. Mas esta entrega é três meses e meio posterior. Os retros encontraram como continuar sem Flash. A loja seguiu atendendo.
O que os arquivos mostram são duas fases. A primeira vai da fundação, em dezembro de 2017, até março de 2018, com entregas quase diárias. Depois a página se cala por dois anos. Em 6 de maio de 2020 vem o anúncio do retorno — "agora com muito mais pixels" — e com ele o endereço pixelandia.org. A segunda fase é mais curta e mais ambiciosa: pacotes completos, com fundo de tela, imagem de carregamento e anúncios, em vez de capas avulsas.
O fim é mais lento e mais banal do que um desligamento. O fim do Flash não apagou os retros de uma vez: foi drenando usuários deles mês após mês, e um cenário que já vinha em decadência encolheu até não sustentar mais uma loja. Ao mesmo tempo, quem tocava a Pixelandia foi crescendo, e o tempo que cabia num universo de hotéis piratas foi ficando cada vez menor.
As duas curvas desceram juntas. Em algum ponto se cruzaram, e não houve mais razão para publicar. Nenhuma loja dessas fecha com aviso — esta apenas parou.
Este museu não vende nada e não aceita encomendas. Os canais de contato originais foram retirados. O que está aqui é registro.